Melhores filmes de 2015

Os melhores filmes lançados no circuito comercial brasileiro em 2015, por ordem de preferência:

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15 – Whiplash: Em Busca da Perfeição (Whiplash, Damien Chazelle, 2014)

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14 – O Sal da Terra (Salt of the Earth, Wim Wenders, 2014)

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13 – Olmo e a Gaivota (idem, Petra Costa, 2014)

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12 – Corrente do Mal (It Follows, David Robert Mitchel, 2014)

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11 – Que Horas Ela Volta? (idem, Anna Muylaert, 2015)

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10 – Últimas Conversas (idem, Eduardo Coutinho, 2015)

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9 – Divertida Mente (Inside Out, Peter Docter e Ronnie Del Carmen, 2015)

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8 – A Visita (The Visit, M. Night Shyamalan, 2015)

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7 – Ponte dos Espiões (Bridge of Spies, Steven Spielberg, 2015)

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6 – Star Wars: O Despertar da Força (Star Wars Episode VII: The Force Awakens, J.J. Abrams, 2015)

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5 – A História da Eternidade (idem, Camilo Cavalcante, 2014)

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4 – Leviatã (Левиафан, Andrey Zvyagintsev, 2014)

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3 – Acima das Nuvens (Clouds of Sils Maria, Olivier Assayas, 2014)

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2 – Mad Max: Estrada de Fúria (Mad Max: Fury Road, 2015)

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1 – Mapas Para as Estrelas (Maps to the Stars, David Cronenberg, 2014)

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O que vi do cinema em 2015

Mais um ano se passou com uma devida pressa e nele conteve uma leva de filmes que ficarão na memória. Dando continuidade ao que comecei em 2014, com a publicação dos melhores filmes vistos durante o ano e que estiveram fora do circuito comercial, segue abaixo a lista das obras que me marcaram em 2015, com o mesmo critério. Não sei o que aconteceu este ano, mas o pique para assistir filmes foi menor, talvez devido às pressões da vida adulta se aproximando (o que é algo positivo, mas deixa meu coração cinéfilo abatido). Foram – apenas – 195 filmes vistos, de 01 de janeiro a 25 de dezembro, dentre longas, médias e curtas.  Desse total, 136 foram inéditos.

Ao contrário dos anos anteriores, não pude acompanhar direito a filmografia de nenhum(a) diretor(a), ator ou atriz (exceto por três ou quatro filmes de Anthony Mann e David Cronenberg), mas consegui tirar a pendência de algumas obras há muito tempo cobradas. O mais marcante ficou por conta de assistir todos os James Bond, de Sean Connery a Daniel Craig, e de rever muitas obras que precisavam de uma reavaliação. Mas o mais importante e significativo de 2015 foi a oportunidade de ir mais vezes ao cinema (34 filmes na sala escura), marcando presença em festivais, amostras especiais e no circuito em geral.

Devido a isso, este ano resolvi fazer três listas: uma dos melhores filmes nunca antes vistos; os melhores filmes vistos no cinema (não necessariamente é uma lista dos melhores do ano, mas sim das melhores sessões) e uma dos filmes revistos que mudaram na minha percepção. Para o próximo ano, fica a vontade de assistir mais filmes e de continuar publicando aqui no blog.

A famigerada lista dos melhores do ano sai em janeiro, como de costume.

 

Melhores filmes inéditos:

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15 – Procura-se Um Amigo Para o Fim do Mundo (Seeking for a Friend for the End of the World, Lorene Scafaria, EUA/Indonésia/Malásia/Singapura, 2012)

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14 – O Demônio da Noite (He Walked by the Night, Alfred L. Werker, Anthony Mann, EUA, 1948)

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13 – O Joelho de Claire (Le Genou de Claire, Eric Rohmer, França, 1970)

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12 – Mad Max 2 – A Caçada Continua (Mad Max 2: The Road Warrior, George Miller, EUA, 1981)

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11 – Nós Somos as Melhores! (Vi är bäst!, Lukas Moodysson, Suécia, 2013)

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10 – Um Dia de Fúria (Falling Down, John Schumacher, EUA, 1993)

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9 – O Preço de um Homem (The Naked Spur, Anthony Mann, EUA, 1953)

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8 – O Segredo dos Seus Olhos (El Secreto de Sus Ojos, Juan José Campanella, Argentina, 2009)

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7 – Operação França (The French Connection, William Friedklin, EUA, 1971)

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6 – Faça a Coisa Certa (Do The Righ Thing, Spike Lee, EUA, 1989)

5 – James Bond’s Movies

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O Espião Que Me Amava

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Apenas Para Seus Olhos

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Marcado Para Morrer

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4 – Marcas da Violência (A History of Violence, David Cronenberg, EUA, 2005)

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3 – Boogie Nights – Prazer Sem Limites (Boogie Nights, Paul Thoman Anderson, EUA, 1997)

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2 – Profissão: Repórter (Profissione: Repórter, Michelangelo Antonioni, EUA/França/Itália, 1975)

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1 – Paris, Texas (idem, Wim Wenders, Alemanha/França/EUA/UK, 1984)

Melhores filmes vistos no cinema

1 – O Circo / Tempos Modernos (The Circus/Mordern Times, Charlie Chaplin, EUA, 1928/1936)
2 – Star Wars Episódio VII – O Despertar da Força (Star Wars Episode VII – The Force Awakens, J.J. Abrams, EUA, 2015)
3 – Mapas Para as Estrelas (Maps to the Stars, David Cronenberg, EUA/Canadá/Alemanha/França, 2014)
4 – Mad Max: Estrada de Fúria (Mad Max: Fury Road, George Miller, EUA/Austrália, 2015)
5 – Amy (idem, Asif Kapadia, EUA/Reino Unido, 2015)
6 – Olmo e a Gaivota (idem, Petra Costa, Lea Glob, Brasil/Dinamarca/França/Portugal, 2014)
7 – Divertida Mente (Inside Out, Pete Docter, Ronaldo Del Carmen, EUA, 2015)
8 – Que Horas Ela Volta? (idem, Anna Muylaert, Brasil, 2015)
9 – Acima das Nuvens (Cloud of Sils Maria, Olivier Assayas, Alemanha/França/Suiça, 2014)
10 – Últimas Conversas (idem, Eduardo Coutinho, Brasil, 2014)

Revisões

1 – Um Corpo Que Cai (Vertigo, Alfred Hitchcock, EUA, 1958)
2 – Uma Rua Chamada Pecado (A Streetcar Call Desire, Elia Kazan, EUA, 1951)
3 – Um Cão Andaluz (Un Chien Andalou, Luís Buñuel, França, 1929)
4 – Gran Torino (idem, Clint Eastwood, EUA, 2008)
5 – O Som ao Redor (idem, Kleber Mendonça Filho, Brasil, 2012)
6 – Um Lugar ao Sol (A Place at the Sun, George Stevens, EUA, 1951)
7 – O Clube dos Cinco [The Breakfast Club, John Hughes, EUA, 1985]
8 – De Volta Para o Futuro Parte I e II (Back To The Future Part I and II, Robert Zemecks, EUA, 1985/1989)
9 – Cinema Paradiso (Nuovo Cinema Paradiso, Giuseppe Tornatore, Itália/França, 1988)
10 – Casablanca (idem, Michael Curtiz, EUA, 1942)

Análise Rápida: Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força

“There has been an awakening. Have you felt it?”

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Ansiedade, expectativa, euforia, emoção. Tudo isso está acontecendo neste final de ano nas salas de cinema do mundo todo. Assim também acontece nas lojas e nas redes sociais. Pra quem não é fã, não conhece ou até detesta “Star Wars”, deve ser chato mesmo. No entanto, não há como negar a existência da comoção que os filmes fizeram com várias pessoas, geração após geração, desde que tudo começou na década de 70. Passados mais de 40 anos, as histórias e os personagens clássicos voltam para dar início a novas aventuras.

Claro que essa volta de Star Wars faz parte do surto hollywoodiano em criar reboots, remakes, prequels e sequências inacabadas. E quando o produto tem uma história tão grande como Star Wars, tanto dentro quanto fora das telas, a responsabilidade ainda é maior. Neste novo filme, a coisa funciona. Há um trabalho minucioso em introduzir um novo enredo e os novos personagens, intercalando com a história clássica, mesmo que a roupagem seja a mesma dos primeiros filmes (algo para respeitar e agradar os fãs e abraçar os novos). Isso é visto nas referências emocionantes, uma atrás da outra, e no cuidado em apresentar os personagens novatos. A missão parece ter sido fazer com que o público aceitasse o conteúdo novo e se deleitasse com a nostalgia e a emoção de ver o conjunto de ícones que formaram a mitologia que Star Wars se tornou.

E não só de referências este episódio VII se sustenta. A saga teve que se adaptar às mudanças culturais que a nossa sociedade clama. Nunca nos outros filmes houve tantas mulheres em cena, tendo uma delas um peso importantíssimo na trama (“Fight like a girl”). Talvez isso também seja uma questão de marketing, mas não deixar de ser menos importante ver este caminho de mudança na representatividade de gênero no cinema. E há também representatividade étnica no filme, sem os estereótipos do personagem negro que hollywood impõe. Quantos heróis negros em filmes de fantasia de hollywood você já viu?

Carregado de emoções e nostalgia, mas não dependente dela, o novo Star Wars certamente será um marco para o cinema, assim como a trilogia iniciada há 40 anos (algo que as sequências I, II e III deixaram a desejar um pouco).

Que a força esteja com você!

Os filmes mais esperados no segundo semestre

Metade de 2015 já foi e estamos nos preparando para mais uma leva de filmes que vão estrear até o final do ano. Separei uma lista de dez produções que mais aguardo para os próximos meses:

10. Aliança do Crime (Black Mass, Scott Cooper)

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“Black Mass” é o novo filme de Scott Cooper, diretor de Coração Louco e Tudo Por Justiça, e é estrelado por Johnny Depp. O filme apresenta o mafioso Whitney Bulger, autuante em 19 assassinatos e que ficou na lista dos mais procurados do FBI, apesar de ter sido informante da entidade. Cooper já mostrou ser um diretor competente nos dois filmes que tem na carreira e este pode ser mais um. “Black Mass” também pode trazer Johnny Depp de volta a um bom papel, depois de anos trabalhando em produções ruins, como O Cavaleiro Solitário e Transcendence. A expectativa é que Depp volte a fazer uma atuação acima daquilo que vem apresentando nos últimos anos desde Inimigos Públicos, de Michael Mann, filme com a mesma temática de máfia.

Estreia 12 de Novembro

Trailer aqui

9. American Ultra (Nima Nourizadeh)

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A combinação Kristen Stewart + Jesse Einsenberg já é o suficiente para me fazer querer assistir o filme. A estreia está marcada para 21 de agosto nos Estados Unidos. No Brasil, a data prevista é 10 de setembro. Se for sucesso lá fora, a data pode permanecer, caso o contrário, o filme pode ir direto para DVD/Blu-Ray. O diretor é o mesmo de Projeto X – Uma Festa Fora de Controle

Trailer aqui

8. Que Horas Ela Volta? (Anna Muylaert)

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“Que Horas Ela Volta?” é o filme brasileiro elogiado da vez. Premiado nos festivais de Berlin e Sundance, o filme de Anna Muylaert retrata a vida de uma empregada doméstica que trabalha para uma família de classe-média na cidade de São Paulo. A atuação de Regina Casé vem sendo bastante elogiada por onde o filme é exibido. A estreia comercial acontece em 27 de agosto no Brasil.

Trailer aqui

7. Homem Irracional (Irrational Man, Woody Allen)

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Um novo filme de Woody Allen é sempre aguardado por uma boa quantidade de cinéfilos e de seus fãs. Em 2015, prestes a completar 80 anos de idade e 50 trabalhando no cinema, Allen não pretende parar. “Homem Irracional” vai para o campo da filosofia, quando um professor universitário respeitado (Joaquin Phoenix) passa a sofrer uma crise existencial e se apaixona por uma de suas alunas (Emma Stone).  A estreia está marcada para 27 de agosto no Brasil, se não for alterada daqui pra lá pela distribuidora.

Trailer aqui

6. Missão: Impossível 5 – Nação Secreta (Mission: Impossible 5 – Rouge Nation)

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Vem aí mais um filme da franquia Missão: Impossível, com Tom Cruise novamente superando os limites de como atuar em cenas de ação. A história do novo filme não é tão empolgante quanto os outros: um sindicato derruba a atuação da IMF e Ethan Hunt tenta destruí-lo junto com sua equipe. Resta esperar que a franquia mantenha o mesmo nível com cenas de ação divertidas e competentes. A direção é de Christopher McQuarrie, que já trabalhou com Cruise em Jack Reacher – O Último Tiro

Estreia 13 de agosto

Trailer aqui

5. No Coração do Mar (In The Heart of the Sea, Ron Howard)

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“No Coração do Mar” foi estranhamente adiado de 12 de março pra 3 de dezembro pela Warner Bros. A intenção, segundo apontam alguns sites de cinema, é colocar o filme na reta para o Oscar 2016. O longa de Ron Howard conta a história do encontro entre o navio Essex com uma enorme baleia, em 1820, e a luta dos tripulantes para sobreviver durante 90 dias no oceano. A história serviu de inspiração para Herman Melville escrever o clássico Moby Dicky. O filme promete ser uma grande experiência em telas IMAX.

Trailer aqui

4. Jogos Vorazes – A Esperança: O Final (The Hunger Games: Mockingjay Part 2, Frances Lawrence)

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Com estreia marcada para o dia 11 de novembro no Brasil, o desfecho da franquia Jogos Vorazes é um dos eventos mais aguardados para este final de ano. Os últimos dois filmes conseguiram aumentar suas qualidades com um roteiro seguro e bem adaptado, tornando Jogos Vorazes como a franquia infanto-juvenil mais bem sucedida nos cinemas depois do fim de Harry Potter.

Trailer aqui

3. Pasolini (Abel Ferrara)

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É o novo filme de Abel Ferrara. Simples.

Estreia 05 de novembro

Trailer aqui

2. 007 Contra Spectre (Spectre, Sam Mendes)

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O trabalho de Sam Mendes em 007 – Operação Skyfall foi bastante elogiado. Dessa vez o diretor está de volta com a missão de garantir mais um ótimo filme da franquia 007. Na nova trama, James Bond (Daniel Craig) enfrenta um vilão que tem ligações com o seu passado. As atrizes Léa Seydoux e Monica Belluci fazem as bondgirls. Christoph Waltz interpreta o vilão. Ficam as perguntas: o novo 007 vai ser tão bom quanto ou melhor que Skyfall? Chris Waltz vai fazer outro grande vilão ou atuar mais do mesmo?

Estreia 05 de novembro

Trailer aqui

1. Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força (Star Wars: Episode VII – The Force Awakens, J.J. Abrams)

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Não há estreia mais aguardada. O novo filme da franquia Star Wars promete ser o maior evento cinematográfico do ano, prova disso é a repercussão de cada material divulgado. “Episódio VII – O Despertar da Força” é a continuação da história finalizada por George Luccas 30 anos atrás e que também dará início a novos rumos para a franquia. J.J. Abrams assume a direção. O diretor é respeitado pelo publico nerd, por obras de ficção científica, como a série Lost e os dois recentes filmes de Star Trek. Harrison Ford, Carrie Fischer, Mark Hamill voltam do elenco original, enquanto Oscar Issac, Max von Sydow, Lupita Nyong’o são alguns dos novatos da franquia. A tão aguardada estreia acontece no dia 17 de dezembro.

Trailer aqui

Outros títulos que merecem estar de olho:

Real Beleza (estreia 06/08) | Love (17/09) Ted 2 (27/08) | Steve Jobs (08/10) | Perdido em Marte (01/10) | Peter Pan (08/10) | A Travessia (08/10) | Rainha do Deserto (24/12) | Que Mal Eu Fiz a Deus? (06/08) | Evereste (17/09) | Quarteto Fantástico (06/08) | Joe (26/11) | Ex Machina (20/08) | Ricky and the Flash – De Volta Para Casa (10/09) | Nocaute (10/09)

*Obs¹: As datas de estreia de todos os filmes estão sujeitas a alteração a qualquer momento

*Obs²: o filme Os 8 Odiados, de Quentin Tarantino, também é um dos muito aguardados. No entanto, a data de estreia prevista é para o dia 25 de agosto nos Estados Unidos. Aqui no Brasil acontece um dia antes, porém, é provável que seja alterada para janeiro ou fevereiro do próximo ano, como é de costume. 

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Divertida Mente

Uma divertida e criativa viagem pelo cérebro humano à convite do universo Pixar.

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Ao ver os trailers de Divertida Mente (Inside Out, 2015), havia algo que me intrigava. Afinal, é possível tratar de emoções de uma forma tão mecanizada como a qual a premissa do filme entregava? Nesta nova animação da Pixar, sim. Na história, acompanhamos cinco personagens que representam as emoções de uma garotinha de 11 anos chamada Riley. Alegria, Tristeza, Raiva, Medo e Desgosto (traduzido como Nojinho para o Brasil) são as cinco emoções escolhidas pela Pixar, que trabalham na personalidade de cada ser humano, de acordo com memórias armazenadas no cérebro. Por trás de uma premissa bem estreita, há um desenvolvimento complexo no filme. Metáforas sobre como a felicidade é obstinada todo instante durante a vida, como alegria e tristeza andam sempre juntas (às vezes discutindo, discordando, dialogando, se completando) e mais algumas rodam ao longo da trama.

Fear (voice of Bill Hader), Sadness (voice of Phyllis Smith), Joy (voice of Amy Poehler), Disgust (voice of Mindy Kaling) and Anger (voice of Lewis Black) guide 11-year-old Riley from Headquarters, the control center inside her mind. Directed by Pete Docter (“Monsters, Inc.,” “Up”), Disney•Pixar's Dentro do universo criado pela Pixar para representar o cérebro humano, há todo um sistema que funciona em conjunto. Dentro dele, há a Sala de Controle, onde as emoções armazenam todas as memórias que moldam a personalidade da pessoa. Afinal, é através de experiências, e de recordações dessas experiências, que boa parte da nossa personalidade vai sendo moldada (pelo menos, foi essa noção que o filme me passou). No cérebro de Riley, uma criança, existe o espaço da “Família”, do “Hóquei”, da “Honestidade”, da “Amizade” e da “Palhaçada”. Pode-se, assim, definir Riley como uma garota que gosta de praticar esporte, é apegada aos pais, honesta, tem amigos e gosta de brincar e fazer caretas. Algumas dessas características são as mais esperadas em uma criança da idade de Riley, cuja a infância não teve nenhum trauma psicológico, familiar ou financeiro. Dessa forma, podemos deduzir que a infância é o período mais feliz da vida humana. E é nela, na infância, que a alegria domina.

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Seguindo essa linha de pensamento, no filme, vemos a personagem Alegria como a líder do grupo de emoções, já que Riley passa a maior parte do tempo se divertindo. Alegria faz questão de ver o lado positivo das coisas, motiva e controla o grupo e não dá espaço para a Tristeza, que quase nunca armazena uma lembrança. As outras emoções estão ali apenas pra evitar que algum mal aconteça a Riley. O Medo a previne de acidentes, a Nojinho define seus gostos e aversões pelas coisas, o Raiva, mais explosivo, expõe todo sentimento pra fora. Quem comanda mesmo é a Alegria.

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É então que os pais de Riley precisam mudar de cidade. Começa uma nova vida para Riley. Em seu cérebro “dominado” pela Alegria, Riley espera tudo de bom, como fazer novos amigos, morar em uma casa bonita e conviver bem com os pais. Suas expectativas diminuem quando se encontra em uma realidade bem diferente, enquanto Alegria em seu cérebro continua tentando levar as coisas para o lado positivo. É quando uma confusão de emoções se instala na cabeça da garota. Riley tem que lidar com uma nova cidade que não lhe acolhe, uma realidade diferente àquela que estava acostumada. O filme trata isso retirando Alegria e Tristeza da Sala de Controle de emoções. Logo, Riley passa ter medo, aversão e, principalmente, raiva às coisas ao seu redor. É interessante observar como a raiva no filme é representada, destruindo, pouco a pouco, todos os laços que Riley construíra durante a infância. Tanto que a parte da “Palhaçada” é a primeira a cair no esquecimento. Quando passamos da infância para a adolescência, nosso lado brincalhão de fazer careta é um dos primeiros a ser deixado de lado. E durante esse período, outros laços vão sendo perdidos. Riley perde seu interesse pelo esporte, passa tomar atitudes “desonestas”, cria um ressentimento com a amiga da infância e sente raiva a todo instante das atitudes dos pais. Se identificou com algo? Pois é. 

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Enquanto isso, Alegria e Tristeza se aventuram em outras partes do cérebro de Riley, tentando a todo custo, voltar para a Sala de Controle. Alegria só quer ver a garota feliz e acha que pode salvá-lá (não é na felicidade que encontramos a salvação pra tudo?), enquanto Tristeza sempre está se culpando pelas coisas que aconteceram. Dentro do sistema do cérebro, existem várias “repartições”. As memórias de longo prazo estão guardadas em extensas prateleiras para depois serem lembradas na Sala de Controle. Há também a Sala de Imaginação, a Produção de Sonhos (uma espécie de Hollywood cinematográfica), o espaço de abstração/subjetividade da mente, um trem de pensamentos, um buraco de esquecimento, uma ala que guarda os medos e um personagem imaginário que a mente de Riley produziu quando era muito nova e já não precisa mais dele (esse personagem faz parte, inclusive, do momento mais emocionante do filme).

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Com um roteiro se firmando em metáforas e criatividade, fica difícil encontrar defeitos em Divertida Mente. Parece que a Pixar, enfim, voltou a ser o que havia deixado de ser desde 2010, quando lançou Toy Story 3, sua última grande obra. No entanto, mesmo esbanjando todas essas qualidades, o filme acaba falhando em alguns momentos. Talvez o erro mais visível seja na própria humana da história. Em alguns filmes da Pixar, existe um personagem humano coadjuvante na história que acaba se tornando protagonista por estar sempre presente nas motivações dos personagens principais. É o caso do Andy (de Toy Story), da Boo (Monstros S.A.) e de Linguini (Ratatouille). Esses personagens representam o lado humano de uma história centrada em um outro universo, seja de brinquedos, monstros ou animais. Em Divertida Mente, Riley, por vezes, se assemelha a um robô controlado pelos “bixinhos” dentro do seu cérebro, onde basta apertar um botão e ela corresponde. Há mais estranhamento de nós, público, a Riley do que aproximação. Outra questão também é por Divertida Mente não atingir o mesmo nível de maturidade que outras obras do estúdio (algo que ainda estou analisando, mas que senti após o final do filme). 

Ainda que tenha esses defeitos (que não são nada em relação às qualidades do filme), Divertida Mente é uma interessante e divertida metáfora sobre como as emoções podem ser atuantes diante as novas fases que a vida nos oferece. Uma criativa viagem ao cérebro humano à convite do universo Pixar.

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Avaliação: 1 2 3 4 5 6 [7] 8 9 10


Diretores: Peter Docter, Ronaldo Del Carmen

Roteiristas: Peter Docter, Michael Arndt

Gênero: Aventura

Duração: 94 minutos (1h34min)


First View: Últimas Conversas

ultimasFoi um prazer imenso assistir o último filme de Eduardo Coutinho na telona. Minha admiração pelo cineasta começou pouco antes de sua trágica morte em fevereiro de 2014. “Últimas Conversas” pode não ter a mesma importância sociológica que “Cabra Marcado Para Morrer”, ou mesmo a magnitude de “Edifício Master” e “Jogo de Cena”, mas ainda traz os traços excepcionais da filmografia de Coutinho. No entanto, dessa vez ele entra mais em cena, quase como um entrevistado, num tom de despedida dado pelos editores João Moreira Salles e Jordana Berg. Os depoimentos de adolescentes sobre a vida, religião, família, amor, cotas, bullying tomam conta da tela. Adolescentes cheios de dúvidas em relação à vida, mas que falam com tanta certeza. É lindo olhar os olhos de uma garota cheia de sonhos, acreditando que tudo será lindo pela frente, e dar de conta que nós já tivemos esse olhar algum dia. É interessante ainda observar que Coutinho encerra sua vida de cinema num filme sobre quem está começando a entender a vida agora.

Em um dos momentos iniciais – que me chamaram mais atenção – , Coutinho, desinteressado com o rumo do filme, acende o velho cigarro e diz: “É o fim”. Talvez ele não tenha realizado o filme como queria, talvez seu trágico “fim” não tenha sido digno, mas seu trabalho será eterno. Uma análise mais detalhada sobre o filme estará presente no blog em breve.

Direção: Eduardo Coutinho. Roteiro: Eduardo Coutinho. 2014. Documentário. Brasil. 1h25min

First View: Vingadores: Era de Ultron

avengers-age-of-ultron-group-bannerNão entrando no Universo Marvel e nem querendo questionar a fidelidade do filme aos quadrinhos e todas teorias possíveis etc., o que se vê na tela desse novo filme dos Vingadores, como cinema, são duas horas e meia de ação, luta, pancadaria, explosões, frases de efeito cômicas e alguns novos rumos para a franquia. Sabe aquele velho cinemão pipoca que a gente sempre assiste e quase nunca cansa de ver? Pois é. O que vale ressaltar são alguns novos personagens e um pequeno estudo de reavaliação que os heróis fazem dos seus papéis, diante os seus medos. Leve a pipoca e os amigos, assista em IMAX (se possível) e se divirta com mais um produto norte-americano de super-heróis em quadrinhos.

Direção: Joss Whedon. Roteiro: Jack Kirby, Joss Whedon, Stan Lee (quadrinhos). 2015. Estados Unidos. Ação. 2h20min.